Aonde vamos parar?
17 08 08
Aí essa semana passei inteirinha pensando: "No fim de semana tenho que ligar pra Keiko de qualquer jeito!". Até acordei mais cedo no sábado, pra não ligar muito tarde.
Pois bem, liguei e já nos primeiros minutos de conversa, quando perguntei se estava tudo bem, ela respondeu: "Agora está tudo bem, mas semana passada fui assaltada!". Meu coração gelou … Aí ela me contou como foi, dois caras armados, em motocicletas, a abordaram quando ela estacionou o carro, já deviam a estar seguindo desde o banco, de onde ela saiu. Pediram a bolsa e levaram tudo, tudo, que incluía, além do dinheiro (que, por sinal, não era pouco), todos os documentos, agendas, chaves de casa. Quem é mulher sabe que carregamos a vida nas bolsas, certo? Enfim só não levaram o carro, porque eles estavam interessados mesmo no dinheiro.
Mas o pior desses assaltos (e quem já passou por isso sabe como é) é ficar depois com aquela angústia no peito, aquela sensação de que, a qualquer momento, outro delinqüente vai pular na sua frente e sua vida ficará, naqueles minutos, nas mãos dele. Eu sei, a vida continua e isso acaba passando um dia, mas é muito frustrante, sem contar que não é nada, nada justo …
Definitivamente, viver em São Paulo tem se tornada a cada dia mais, um exercício não só de desprendimento (sim, porque no final você fica sem seu dinheiro, seu carro, seus eletrônicos etc.) mas também de total controle psíquico-emocional. Sem contar que você tem que estar SEMPRE preparado pra ser assaltado! E não vou dizer que basta sair de casa, porque quantas pessoas não são assltadas dentro de sua própria residência?
Eu mesma, quando estou lá, não fico 100% tranqüila. Tenho medo de sair de carro à noite (minha irmã foi assaltada em plena luz do dia, não se enganem), se alguém passa perto do carro quando estou estacionada no farol já pulo de susto e por aí vai.
Por isso, quando nos perguntam o que nós mais gostamos aqui na China nossa resposta é imediata: segurança!
Adoro o Brasil e São Paulo especificamente, já que nasci, cresci e morei minha vida inteira nessa cidade. Mas temos de abrir os olhos e enxergar que as coisas estão fora de controle. Isso porque, por enquanto, estou falando só da violência, mas têm outras coisas importantes também, como a questão da educação (se bem que eu acho que as duas coisas estão interligadas…).
Enfim, a Keiko está bem fisicamente, mas com seqüelas emocionais é claro. E sabe-se lá quando essas se curam …


Comentário por Ulisses — 17 08 08 (11:33)
Fala Simonal,
vc tem toda razão e não tiro nehuma vÃrgula do que vc falou…mas o que me deixa mais puto e estupefato é que as pessoas estão perdendo a capacidade de se indignarem. Basta um click no controle remoto e pronto, aquele assunto desconfortante fica no outro canal. O problema é que esse mesmo assunto pode bater na sua porta um dia….ninguém pensa nisso ou parece não pensar…estamos vivendo uma fase de acomodação que me surpreende como ser humano…impressionante como o povo não percebe que o problema está na sua porta e fica esperando que o governo vá resolver tudo….tá certo que o governo não faz a parte que lhe compete e quando faz o resultado é horrÃvel pois feito nas coxas ou simplesmente feito de maneira eleitoreira ou ainda de forma a apenas dar um alento à opinião pública….
Resumindo com a minha classe de sempre: simplesmente tá foda !!!
Comentário por jeanne — 22 08 08 (6:23)
O pior é que é um trauma que fica pra sempre, Simone. Fui assaltada 7 vezes e sei bem como é isso.
Gostaria muito de voltar a SP mas já me acostumei tanto com a segurança em Toronto que morro de medo. Aliás, foi medo que me fez sair de lá.
O que me deixa indignada é que este é só mais um caso. Mesmo que fosse reportado à polÃcia nada seria feito. Das 7 vezes que fui assaltada, 1 eu reportei e não ouvi coisas agradáveis, eracomo se aculpa fosse minha. E tb só falatava me pedirem nome, RG e telefone do bandido. Como é que vou saber????
Felizmente sua irmã está bem fisicamente. Desejo que ela possa se recuperar pasicologicamente dessa situação.
Bjs