Ontem finalmente liguei pra minha irmã, a Keiko, que mora em São Paulo. Sabia que já fazia muito tempo que não ligava pra ela, praticamente desde que voltamos do Brasil, ou seja, há três semanas. mas acontece que Leandro trabalhou alguns dias em casa, em outros eu saí e acabou que passou esse tempo todo sem nos falarmos …
Aí essa semana passei inteirinha pensando: "No fim de semana tenho que ligar pra Keiko de qualquer jeito!". Até acordei mais cedo no sábado, pra não ligar muito tarde.
Pois bem, liguei e já nos primeiros minutos de conversa, quando perguntei se estava tudo bem, ela respondeu: "Agora está tudo bem, mas semana passada fui assaltada!". Meu coração gelou … Aí ela me contou como foi, dois caras armados, em motocicletas, a abordaram quando ela estacionou o carro, já deviam a estar seguindo desde o banco, de onde ela saiu. Pediram a bolsa e levaram tudo, tudo, que incluía, além do dinheiro (que, por sinal, não era pouco), todos os documentos, agendas, chaves de casa. Quem é mulher sabe que carregamos a vida nas bolsas, certo? Enfim só não levaram o carro, porque eles estavam interessados mesmo no dinheiro.
Mas o pior desses assaltos (e quem já passou por isso sabe como é) é ficar depois com aquela angústia no peito, aquela sensação de que, a qualquer momento, outro delinqüente vai pular na sua frente e sua vida ficará, naqueles minutos, nas mãos dele. Eu sei, a vida continua e isso acaba passando um dia, mas é muito frustrante, sem contar que não é nada, nada justo …
Definitivamente, viver em São Paulo tem se tornada a cada dia mais, um exercício não só de desprendimento (sim, porque no final você fica sem seu dinheiro, seu carro, seus eletrônicos etc.) mas também de total controle psíquico-emocional. Sem contar que você tem que estar SEMPRE preparado pra ser assaltado! E não vou dizer que basta sair de casa, porque quantas pessoas não são assltadas dentro de sua própria residência?
Eu mesma, quando estou lá, não fico 100% tranqüila. Tenho medo de sair de carro à noite (minha irmã foi assaltada em plena luz do dia, não se enganem), se alguém passa perto do carro quando estou estacionada no farol já pulo de susto e por aí vai.
Por isso, quando nos perguntam o que nós mais gostamos aqui na China nossa resposta é imediata: segurança!
Adoro o Brasil e São Paulo especificamente, já que nasci, cresci e morei minha vida inteira nessa cidade. Mas temos de abrir os olhos e enxergar que as coisas estão fora de controle. Isso porque, por enquanto, estou falando só da violência, mas têm outras coisas importantes também, como a questão da educação (se bem que eu acho que as duas coisas estão interligadas…).
Enfim, a Keiko está bem fisicamente, mas com seqüelas emocionais é claro. E sabe-se lá quando essas se curam …